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Disney no Céu Entre os Dumbos
por
João Barreiros

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    - Quero ir-me embora! - exclama Marklin, atirando com o copo mais a placa gráfica onde estavam impressas as tábuas de multiplicação, contra uma árvore recém plantada. Cinco roedores jardineiros escapam-se, aterrados.
    - Embora como? - pergunta o rato, fazendo de conta que não está a perceber.
    - Através do gerador de EspaçoNulo, claro. Que diabo estamos aqui a fazer há tantos dias? Quero ir para casa, ou, caso isso não seja possível, procurar a Di... Diáspora, enfim, fazer qualquer coisa! Este asteróide é uma prisão. Além disso, estou farto de te aturar!
    - Posso sugerir que se despertem mais...
    - Nem penses, - vocifera Marklin, pondo-se de pé. - Não, já disse. Eles sabem mais do que eu, lembram-se de mais coisas, faziam de mim gato sapato!
    - Que ideia, Patrão! Eles...
    - Faziam, sim! Uma actriz de holopornos, um miúdo Esquimó famélico, um velho pedófilo debochado, um esq... esquizóide de personalidade múl... múltipla, um psicopata e isto só como exemplo. Que lindas prendas, que companhia eu não haveria de ter. Antes prefiro seguir a estrada dos tijolos amarelos...
    - Se julgas que te vou ajudar... - ralha o rato, num tom moroso. - Bem podes ficar à espera. Bwana. O risco é demasiado alto. Iria pôr em causa a integridade dos meus programas...
    Marklin encolhe os ombros, dirigindo-se às escadas:
    - Então faz lá o que quiseres. Vou sozinho, pronto! Quanto tempo pensas que vai durar a energia dos geradores, se continuarmos aqui, sem fazer nada?
    - Ao ritmo actual, mesmo com todos os adormecidos despertos, trezentos e cinquenta anos standard.
    - Dispenso esse tipo de graçolas. Ah! Ah! Ainda não percebeste que tenho medo de ficar aqui para sempre?
    - Medo? Mas medo de quê? - espanta-se o rato, acompanhando-o na descida. - Ouviste o que te perguntei, Patrão?
    Marklin imobiliza-se a dois passos da cadeira indutora:
    - Medo da Suzana, claro. De que ela possa voltar... As coisas nunca são assim tão simples... Quando a cortei ao meio, havia ainda ovos no interior, percebes? Mas quase todos os sacos estavam vazios...
    - O meu amigo não estará a imaginar coisas? O que acabou, acabou. Eh, não te sentes, Patrão... Larga esse capacete, sim? Não calces as luvas, vá, por favor, Marklin? Estás a ouvir-me? Ainda não te encontras devidamente preparado... o teu imaginário... Não li

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