R e v i s t a . e l e c t r ó n i c a . d e . f i c ç ã o . c i e n t í f i c a . e . f a n t á s t i c o

Uma Noite na Periferia do Império

por João Barreiros

conto publicado em 26.06.2002

republicado em 01.11.2003

Sua Senhoria CantoFranco, embaixador de uma espécie exótica, chega a Lisboa em visita oficial. Mas ninguém o espera no astroporto, e o infeliz CantoFranco vai ter de enfrentar quase sozinho o impressionante assalto da mais pura portugalidade.
Leia o conto em:

ISBN: 989-8072-03-2

ISBN (13): 978-989-8072-03-0

Historial

Publicado na antologia Inconsequências na Periferia do Império, editada em 1996 pela Câmara Municipal de Cascais, por ocasião dos primeiros Encontros de Ficção Científica de Cascais.

O Autor fala sobre a obra

Este vosso criado, escreveu Um Dia na periferia do Império tendo em vista os Encontros de FC em Cascais. Nos seus olhos piscos, enquanto teclava a palavra "FIM", cintilavam cifrões e os proverbiais "flashes" dos cinco minutos de fama.
"Vaidade, vaidade", cantava o bardo, a fazer ruído de fundo, "tudo é vaidade."
Ora todos nós sabemos o que acontece a quem se vangloria antes de tempo. As Parcas que tudo escutam, adoram destruír... Ainda por cima quando têm razões de sobra para o fazer.
As razões apontadas foram várias. Não só estávamos a falar da primeira convenção international Portuguesa, ou seja, Encontros de Ficção Científica que era suposto estarem pejados de convidados estrangeiros, criticos, autores de renome e editores, como também importava mostrar-lhes, graças a uma antologia bilingue, que nós, por cá, muito longe de Trantor e demais Impérios, também sabíamos escrever, que também eramos dotados de uma pontinha de génio. A tal antologia teria como tema proposto, Inconsequências na Periferia do Império. Foi acordado, entre todos os que nela colaboraram, que se deveria escrever um conto sobre o que seria "viver longe de". Essa estranha angústia de sermos periféricos a tudo e todos... Infelizmente ninguém o fez. Depois de inúmeros "sim senhores" as promessas cairam no olvídio. E à falta de coesão, o tema global deixou logo ali de ter sentido. Depois, como se isso não bastasse, novo horror desabou sobre o primeiro. Shit happens, dizem os nossos parceiros britânicos. E têm razão. Porque nesta triste e leda Periferia, não havia ninguém que soubesse retroverter os contos para Inglês, a não ser duas tradutoras simultâneas que logo se prestaram a pegar nas machadinhas. Resultado: um massacre ao texto original. Frases incompreensíveis. Expressões idiomáticas completamente adulteradas. Foi isto que chegou às mãos dos convidados. Textos numa língua parecida com o Inglês, mas um Inglês falado, talvez, no interior das densas florestas da Nova Guiné. Um Inglês adulterado pelos tradutores automáticos dos gasterópedes de Tau Ceti. Algo que nunca se devia ter apresentado, se houvesse vergonha. Ao que parece, a minha própria vergonha não serviu para nada. E o meu herói vítima, CantoFranco, continuou para sempre envolvido na mais profunda treva, ali, onde as luzes das estrelas do Centro já não chegam.
Será que alguém o leu? Duvido, porque não era o primeiro. E a fleuma, mesmo a fleuma britânica, tem limites. CantoFranco teve a sua morte solitária às mãos dos Comandos KingKong. E não houve bardo que o cantasse lá por fora.
Vaidade, vaidade, tudo é vaidade.
Ou, como diria o outro, tristes tristezas.
Espero agora, devotos leitores, que vocês aproveitem o que os outros, os tais visitantes do Centro, não conseguiram fazer.
 
João Barreiros, Junho de 2002

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Uma Noite na Periferia do Império

Incluído em:

Inconsequências na Periferia do Império

coord. André Vilares Morgado

Câmara Municipal de Cascais

1996

João Barreiros escreveu:

 

A Verdadeira Invasão dos Marcianos

Editorial Presença

colecção Viajantes no Tempo

2004

 

Terrarium

com Luís Filipe Silva

Editorial Caminho

colecção Caminho Ficção Científica

1996

(leia a crítica de Jorge Candeias)

 

O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias

Editorial Caminho

colecção Caminho Ficção Científica

1994

(leia a crítica de Jorge Candeias)

 

Duas Fábulas Tecnocráticas

edição do autor

1977

(leia a crítica de Jorge Candeias)

 

Prefácio a

O Planeta das Traseiras

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